Eu achava que a ARTE e era algo fácil de descrever e também que fosse apenas para ser
observada e contemplada.
E realmente percebi que a ARTE é de fácil descrição e em alguns casos até de fácil entendimento, mas o que me impressionou, em minha visita à INHOTIM, é o fato da ARTE, além de ser contemplada e percebida, poder ser sentida e experimentada.
Ela te possibilita experiências, te revela sentimentos e te permite possibilidades. A ARTE te usa contra você mesmo, ou pode-se dizer a seu favor, sua curiosidade e sentidos, fazendo com que você se perca nela e se esqueça do tempo.
Na Galeria da Mata a obra de Dominique González-Foerster, “Promenade”, 2007, te permite, apesar de você estar abrigado, sentir-se lavado pela chuva e te dá a sensação de vulnerabilidade. Esta obra me fez pensar se não poderia isso ser uma forma de fazer chover e de controlar a chuva¹, como foi discutido em sala e que pode ser completado com o que o Roberto disse de você pegar uma proposta e saber interpretá-la, mantendo o conceito, mas fazendo com que ele aconteça de uma forma possível. E foi o que [...] fez, ela queria fazer chover e conseguiu fazer isso de uma forma muito interessante, trazendo para o espectador/participante os mesmos sentimentos que se tem ao estar realmente debaixo da chuva.
Outras obras também despertam seus sentimentos, em “DESVIO PARA O VERMELHO”, Cildo Meireles te leva ao que parece, a cena de um crime, onde o sangue tomou conta de todo o ambiente. Depois te mostra ao medo e te faz preguntar onde estará o corpo, dono de todo esse vermelho? E o assassino? Será eu o próximo? Ou será eu o assassino?
Na obra de Janine Antoni, “Swoon”, é possível sentir a agonia ao ouvir o som de uma pessoa, brigando pelo pouco tempo de ar que lhe resta, e ao mesmo tempo em que você quer corre para tentar ajudá-la, você sente um medo de ser surpreendido com uma sacola plástica na cabeça. E quando você adentra mais a obra você se vê num palco, prestes a entrar em cena e depois o “backstage” da obra ou seria do espetáculo que está preste a começar?
São tantas obras que ficaria difícil falar de todas, mas foi uma experiência muito forte que me fez mudar a forma de ver a arte, não só ver, mas também sentir e experimentar.